quinta-feira, 20 de agosto de 2009
enquanto o universo se movimenta
no grito móvel de tudo que escuto
e da tradução que a dança eleva
se toda razão que percorre ata
o motivo pleno à liberdade
também moverá o Ser
Sandoval Fagundes,
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
18:44:43
terça-feira, 28 de julho de 2009
Futuro inventado
todo futuro previsto
eu vou logo revestindo de sucesso
e confeito em camadas de açúcar
depois envolvo de facilidades
embrulho em folhas de fortuna
para no final de tudo isso
guardá-lo no armário frio
junto ao mofo das ilusões
Sandoval Fagundes, João Pessoa- terça feira, 28 de julho de 2009
22:48
segunda-feira, 27 de julho de 2009
loucura de poeta
do encanto da ação do sentimento
num canto mais além do que se pensa
Sandoval Fagundes - segunda-feira, 27 de julho de 2009
05:20:04
tambores
atables que embatem amores
atabaque nas mãos carinhosas
baque afoito do toque
na pele que acorda
batuques que protegem os espíritos
ogãs do io ou do jeje tomados
batucada enlevada no bamba
na pele que soa
bombos que batem rogos
pandeiros e surdos secretos
samba descalço no morro
na pele que dança
alfaias que abarcam a vida
cirandeiros e tantãs arredios
pancada, repique no mundo
na pele que acirra
Sandoval Fagundes, João Pessoa - segunda-feira, 27 de julho de 2009
00:09:15
sábado, 25 de julho de 2009
poesia presente
a poesia estará presente
forte seja o teu desejo
de novidade recente
vontade de estar feliz
nas utopias inocentes
seja presente a matriz
e filial o que sentes
Sandoval Fagundes, sexta-feira, 24 de julho de 2009
23:52:55
Reflexo
e insiste em mergulhar nas imagens laminadas
por não compreender seus desdobramentos
prefere duplicar-se em tais confrontos
nunca aceitará os olhos invertidos
se é mentira da beleza copiada
querer procurar o corpo
quando sua alma
acordar só
diante
si
Sandoval Fagundes, sexta-feira, 24 de julho de 2009
23:24:55
sexta-feira, 24 de julho de 2009
posse
é tão amarga
sem explicação
eu trago para mim
compota doce
é tão larga
nem que já fosse
um trago já no fim
Sandoval Fagundes, sexta-feira, 24 de julho de 2009
13:43:32
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Ladrilho
é o pássaro que se mostra
no rosto espelhado do chão
que nada consegue esconder
quando voamos multiplicados
Sandoval Fagundes, João Pessoa, segunda-feira, 13 de abril de 200911:57:46
gratuidade
o imaterial é sem preço
igual à graça de quem amo
valor que não esqueço
Sandoval Fagundes, João Pessoa, terça-feira, 30 de junho de 2009
11:59:49
desafio
e mergulharei nesses olhos enormes
pois, só fiando teu mundo gigante
poderei beber dessa felicidade
que mora na tua filosofia
Sandoval Fagundes, João Pessoaquarta-feira, 6 de maio de 2009
05:15:58
náutica da estrada
o farol guia tuas naus
durante o dia
o sol queima os teus nãos
Sandoval Fagundes, João Pessoasegunda-feira, 27 de abril de 2009
02:14:12
mão de artista
ferramenta do pensamento humano
que grita forte sobre a matéria
na utopia de tenta tocar o espírito
compreender seus impulsos
para remodelar sua forma
e simplificá-la
para que todos sejam olhos
degustem seus próprios sentimentos
percebam-se vivos diante dos artifícios
das ferramentas comuns da vida
Sandoval Fagundes, João Pessoa, PB - quinta-feira, 5 de março de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
ginástica de poeta
e a habilidade inquieta das palavras
bailando piruetas no teu espírito
Sandoval Fagundes, João Pessoa - domingo, 17 de agosto de 200810:16:19
equívocos
na curva desses limites
o que nunca se acaba
das tuas mudanças
na trajetória da luz
no som das poucas palavras
o que não permanece
das tuas verdades
na dificuldade de encontrar
à luz do teu espelho ambíguo
o que transparece
das tuas imperfeições
na mudança sem concórdia
nos retratos sem propósito
o que fica construído
dos teus equívocos
Sandoval Fagundes, João Pessoa - sexta-feira, 15 de agosto de 2008
a busca do ser no poeta
não quer apenas mostrar o conteúdo das orações
não espera dar sentido mágico as palavras
não quer facilitar o trânsito do refino nos verbos
a busca do poeta é entranha e sem nervura
quer descobrir as verdades impostas sob as fibras do papel
quer diluir as mágoas escondidas entre as serifas das letras
quer plantar alegrias e sonhos no solo árido do alfabeto
Sandoval Fagundes, João pessoa - sábado, 9 de agosto de 2008
Calendário
um tiro certeiro para cada dia
decompondo o tempo em segundos
com suas cápsulas imortais
sem a menor precisão
Sandoval Fagundes, João Pessoa, terça-feira, 19 de agosto de 2008
18:16:41
Amor de fora para dentro
apenas como pensamento
ou espaço cravado no corpo
se na vida há esse estado imenso
na alma da vida somos todos vendavais
existe alma em todo sopro do tempo
fora de controle e rodopiando no mundo
sem dar satisfação do que percebes
mesmo que nem queiras saber
para que lado segue o teu pensamento
Sandoval Fagundes, sábado, João Pessoa. 7 de junho de 20083:44:57
risco de vida
correr a vida
e ha sempre um risco
no ato de morrer de amor
quando se quer a liberdade
se somos apenas o traço
da linha que optamos
do ser apenas só
quando nada
somos
e se
é
para
ser só
sem ter
e sem ser
propriedade
e nem querer
nada de ninguém
quase nunca prometer
talvez nem a pele da alma
vou correr o risco de voltar para casa
e quantas vezes povoar o templo de absurdos
com portas abertas ao nada e o mundo ao meu dispor
Sandoval Fagundes, João Pessoa - domingo, 19 de julho de 2009
16:22:11
o nascimento do samba
as pernas bambas de querer
se o samba nunca está mudo
se a dança é o desejo de crescer
a poesia da vida está em tudo
e um samba acaba de nascer
Sandoval Fagundes, João Pessoa, 18 de novembro de 2006
espelhos d´água
o desejo convicto de enfrentar-se
desejo que seja querer comum
encarar as difíceis conquistas
do nosso "mar-adentro".
quero que seja desejo maior
o ato de inflar nosso ser de coragem
para descer às profundezas
dos nossos sentimentos oceânicos
despidos desses nossos medos
escafandrísticamente.
desejo que seja nosso horizonte
ser a um só tempo mar e água,
intenso e contido, amplamente.
seja esse desejo mergulhador
o navegador dos espelhos
da nossa própria alma.
Sandoval Fagundes, João Pessoa – 10 de agosto de 2006
Sono lento
ela dorme ali
com o vento
ainda sopra o alento
com fome e dor
ela sonha ali
com um sentimento
findo dobra o intento
Sandoval Fagundes, 10 de abril de 1997
escala lunar
dói fazer-te sol
se todo guapo
tão cheio de amanhãs
qual poesia te concebe?
ré
refaça-o amanhã
infante acordar tardio
céu azul pintado
existe poesia tão leve?
mi
diga-me quem chora
se há Remédio na lua
grite que não minguarás
e a poesia te bebe?
sol
o sol de lá será talvez
quando a nova lua te esconde
se toda cheia e tão clara de nua
a poesia te descreve?
lá
de onde a luz seja fase do tempo
e seu ponto doce a parte vista
receita-me lua o que aprendes com do sol
a poesia te recebe?
si
saber-se luz de estado imperativo
dependente e pequeno satélite
seu brilho branco não permite o talvez
a poesia te verve?
Sandoval Fagundes, João Pessoa - 30 de março de 1997
arpejos
ar comprimido entre dentes
entre tantos desejos
violas teus finos fios
doces gestos premidos recentes
olhar cortante de arfejos
violas entre tantos desafios
aqueles repletos de encantos
naus vagantes de arpejos
Sandoval Fagundes – João Pessoa - 07 de junho de 1997
nada consta
tantos problemas juntos
nada a significar
é vida tanta dor
dimensionando problemas
com a facilidade de um deus
são quantas vidas fáceis
quem sabe tanto não sou
não és, não somos
ao criador, nada a declarar
Sandoval Fagundes, 21 de janeiro de 1997
04:08:57
agora
motores ligados em mim
piso frouxo
de pó
parado
estou ciente do mar
fina poeira movediça
sigo as danças
do seu interno
pulsante
reclamo a calma do mar
perdido em suas ruas invisíveis
seus alívios
de movimento
acordado
amante assíduo do mar
percebo o agito nas calmarias
estou submerso
em suas ondas
vivendo
Sandoval Fagundes, João Pessoa - 04 de abril de 1997
luz da pele
brasa na pele
carmim repouso
pele iluminada
surpresa flutuante
doce mármore
em deleite
nudez da respiração
verdade implícita
poros abertos
nave onírica
luz curiosa
Sandoval Fagundes, João Pessoa – 06 de abril de 2006
a lua da cor furtada
arquétipo da imagem de alguém
a moça do cabelo curtinho
elegante saudade das nossas luas
ali bem diferente do chafurdice milagre
passou o tempo feliz como ninguém
a moça do roxo cabelinho
tocante tocada pelas nossas luas
Sandoval Fagundes, João Pessoa – 24 de abril de 2008
veste-menta
há dias
anda nua
impertinente
querendo desvendar
o teu fabulário
minha voz
há semanas
melindra rouca
fria e dolente
solfejando fados
do teu repertório
meus olhos
há meses
vela um rio
inflame presente
luzeirando
a tua via láctea
minha boca
há anos
sobrevoa lenta
imaginária e paciente
degelando o sabor
da tua veste-menta
Sandoval Fagundes, João Pessoa - 12 de maio de 1997